terça-feira, 21 de abril de 2015

Especialistas querem proibir armas autônomas antes de elas existirem


Um grupo de pesquisadores da Harvard Law School divulgou, na semana passada, um estudo por meio do qual eles reivindicam a criação de legislação que proíba a criação de armas completamente autônomas. Este tipo de máquina poderia decidir matar alguém sem a necessidade de nenhuma intervenção humana.

O estudo foi divulgado com antecedência para a reunião de delegados da Convenção da ONU Sobre Armas Convencionais, que aconteceu também na semana passada, em Genebra, na Suíça. A reunião tinha como objetivo discutir justamente armas desse tipo.

A principal autora do estudo, Bonnie Docherty, professora da Harvard Law School e pesquisadora sênior da Human Rights Watch, afirmou em entrevista ao MIT Technology Review que, embora tais armas ainda não existam, é importante bani-las desde já, "antes que países invistam demais na tecnologia e não queiram desistir da pesquisa".

Um dos principais problemas do uso de armamentos desse tipo seria, segundo Docherty, que não seria possível atribuir responsabilidade a ninguém pelas ações da máquina. "O programador, o fabricante, o comandante e o operador, todos escapam da responsabilidade sob a legislação atualmente vigente", disse.

Além disso, Docherty e seu grupo de estudos enxergam também o risco de uma corrida armamentista, além de preocupações éticas e legais. "O princípio da precaução diz que se há uma séria ameaça de dano público, mesmo incerteza científica, como nós temos nesse caso, não deve impedir ações com o objetivo de prevenir esse dano", comenta.

Um dos desafios que o desenvolvimento de legislação desse tipo oferece é a definição de "arma completamente autônoma". Docherty acredita que uma definição possível, embora não legal, seria "um sistema de armas que pode selecionar e matar um alvo sem o que chamamos de controle humano significativo". 

A pesquisadora aponta, porém, que seria ainda necessário definir melhor o que é "controle humano significativo". Mas acredita que uma definição mais ampla e preliminar como essa é um bom ponto de partida. "É quando você perde aquele controle humano que você atravessa uma fronteira e entra em algo que a maioria das pessoas não deseja", completa.

Matéria sugerida por: [Thiago Sb] Fonte: [OlharDigital]
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